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ANNO III
Estava eu, sentado em um detestável assento de ônibus enquanto desabrochava em mim uma sensação de ira por, vejam só vocês, ter de dividir minha individualidade, ainda que exígua, com um velho pançudo e jeito de rabugento que sibilava, descoordenamente, por entre seus fétidos e apodrecidos dentes, uma sinfonia ligeira, digna de quem não entende nada de música. Por sorte, tanto minha quanto dele, que desci logo do lotação, pois aquilo estava me amolecendo os ossos do corpo, de tanto que me perturbou aquele passa-tempo estúpido. Além de fazer, claro, minha cabeça latejar de dor.
Então, após minha fuga prematura do ônibus, por causa daquele ser horrendo que estava me incomodando, fui até o bar do Odil. Afinal de contas eu fui convidado para a festa que lá haveria. No entanto tive que andar umas quadras além do normal para alcançar meu objetivo, mas tudo bem, festa lá sempre ter um ar de... Um ar de... De coisa boa. E, visto que se tratava de uma festa, saberia que meus amigos estariam por lá sem dúvida. Eles também têm o hábito de participar das festas que lá acontecem. Sabe, é até bom que estejam por lá, pois assim eles podem me controlar na quantidade de bebida, pensei. Mas também se não me controlarem, que é o mais provável que aconteça, será melhor ainda. Continuei pensando enquanto salivava, de sede, e caminhava e tropeçava nas tortuosas calçadas que levam até o bar.
Lá chegando tratei de cumprimentar a todos e pegar meu copo de chope para começar os trabalhos técnicos. Porém, depois de tanto me estressar com aquele amaldiçoado baixei minha cabeça e acabei tirando um cochilo em cima de uma das mesas do boteco. E durante os festejos da inauguração de um tal Puxadinho, que na verdade é uma ampliação do bar, teve todo o tipo de grito que merece uma comemoração deste nível, e eu, como estava pra lá de cansado, encarnei num sono profundo, e com direito a um sonho maluco e tudo mais.
Algumas pessoas, que estavam sob a hipnose da boa música, e sob os efeitos entorpecentes do álcool, se esgoelavam e rolavam pelo chão, por cima dos móveis espalhados pelo local e por cima das cabeças daqueles que dormiam. E como eu era o único que praticava esta atividade sonífera, eles rolavam por cima de mim. Mas tudo bem, nem sentia nada mesmo. Já outras pessoas, se contentavam em tamborilar seus dedos sobre o tampo do balcão enquanto gemiam qualquer coisa só para acompanhar o ritmo das músicas.
Enquanto isso, num mar de alucinações eu estava nadando.
-- Sir Baltazar! Estou cá, por estas paragens, em busca de auxílio, pois as crianças e mulheres de minha vila foram nos surrupiadas. Então, eu e meus capitães viemos em busca de vosso socorro. E, se não for pedir muito, tua força, bem como a força do teu exército serão bem recebidos em nossas modéstias moradas. Dizia-me assim o príncipe das terras do norte com um ar de desalento.
-- Ficai descansado, e não te preocupai, oh, nobre senhor das terras do norte. No que eu, e meus homens puder fazer em tua ajuda, faremos. Disse-lhe assim com minha voz de trovão do alto de minha encardida poltrona que exala cheiro de urina de gato e de cachorro. Bom, se bem que minha voz não é de trovão. Mas talvez seja pelo efeito do arroto que dei por causa do balde chope que havia tomado naquele momento, e que ainda estava ao meu lado.
E durante minhas heróicas aventuras pelas terras do norte o povo do boteco saracoteava e sapateava e sambava e sacolejava por todo o lugar. Inclusive sobre minha cabeça. Mas incrivelmente eu não sentia nada. Ainda bem. No entanto, fizeram de tudo para me acordar, pois além de comemorarem a inauguração do Puxadinho estavam comemorando o terceiro ano de existência do meu blog. Particularmente falando eu estava me sentindo um cara importante, um nobre, um sujeito que pode até auxiliar príncipes nas batalhas contra sei lá quem.
Porém, eu ainda estava no mundo da magia.
-- Sai de trás desta moita para lutar e morrer como homem. Bradei assim para alguma coisa que se mexia por detrás deste tufo de mato. De repente saiu, feito um... Trovão?! Um monte de tampinha de garrafa de cerveja em minha direção. E depois elas me agarraram e me derrubaram, depois roeram minhas orelhas e chutaram minha bunda. Mas não agüentei ficar ali à toa, olhando aquela barbárie sem reagir. Levantei-me, pois sim, depois passei um lenço na cabeça para lustrar minha careca e cuspi para cima, a fim de refrescar minhas vistas com a saliva. Tal ato fez com que as tampas se enojassem do que viram, e aí saíssem voando em direção ao abismo sem fundo. Depois, em outra ocasião, quando o príncipe das terras no norte veio até mim para agradecer, disse que o nome deste abismo é o "Ó do Borogodó".
Tudo bem, pensei comigo mesmo durante uma coçada na minha virilha direita. Mas também não quis discutir a etimologia deste nome tão burlesco. E depois de vários cutucões na orelha, na nuca, na barriga, na perna e em tantos outros lugares eu acordei. Esbaforido, por certo, e babado? Evidente que sim, mas preparado para começar a festa. A minha festa. Então, me aproveitando da companhia do Adalberto, do Pereirinha, do Azambuja e de qualquer outro que por lá estava, bebemos até não agüentar mais. Claro que nesta história eu agüentei mais porque dormi mais da metade da festa, mas não tem problema. A diversão foi boa assim mesmo. Contudo, quando pensei que a bagunça já estava no final, o velho Odil escalou o balcão, que estava forrado de alguns bêbados dormindo, mas que, por costume, ainda insistiam em tamborilar no tampo do móvel, mesmo sem música.
Bom, como estava dizendo; o Odil subiu no balcão e, saltando num pé só gritou: viva o Puxadinho do Distinto e os três anos do blog do Baltazar. Todos gritaram para o primeiro brinde, já para o segundo muitos dos que lá estavam nem sabiam o que queria dizer blog... Na verdade nem eu sei ao certo o que quer dizer isso, mas tudo bem. De qualquer forma foi muito divertido. Principalmente quando somos requisitados, ainda que em sonho, por príncipes que vêm das terras do norte... Quanta honra... Bem, talvez nem seja tanta honra assim, mas tudo bem. Valeu a intenção, da minha mente, pelo menos. Então vou encerrar por aqui mesmo, porque a volta creio que nem seja assim tão interessante, ou melhor, até pode ter sido, mas se um dia eu souber como foi que voltei certamente contarei isso a vocês.
Aqui é o pessoal festejando pelo tal Puxadinho. Animação total. Pessoas e bebidas... combinação que sempre dá certo, mesmo que de maneira errada.
O bar do Odil é democrático. Sempre tem mulher por lá, nem que seja para tomar de nossos chopes enquanto estamos distraídos com a baba que escorre do canto de nossas bocas sobre o balcão.
Durante meus devaneios, como um guerreiro que briga contra tampinhas de garrafas de cerveja que se rebelam contra um bebedor, incluindo aí o Príncipe das Terras do Norte, eu fui drasticamente pisoteado em cima de uma mesa do boteco, por causa dos bêbados que por lá saracoteavam. Se ao menos estivesse usando uma dessas armaduras enquanto dormia os hematomas jamais teriam aparecido no meu corpo, pelo menos na forma que surgiram. Mas também seria difícil de urinar, pois toda esta ferragem deve dificultar um bocado no momento de aliviar a bexiga. Pensando bem; foi melhor assim mesmo. Quanto menos incômodo melhor.
Oiram Bourges - 23:56 para cima
Segunda-feira, Abril 24, 2006
Passada a Páscoa eu ainda estava enjoado de tanto comer chocolate, e ainda, com uma vontade fora do comum para fazer alguma coisa. A estagnação, através de confissões, disse que quer me deixar maluco. Sabe, a situação dentro de casa, sinceramente falando, começa a me deixar maluco, pois já estou falando com fechaduras das portas e janelas, e a contar piadas para os bichos aqui de casa. Nada demais ou coisa que eu considere realmente sinais de maluquice, mas se tais sintomas persistirem, possivelmente terei problemas num futuro próximo. Mas também não muito próximo.
Então, pensando desta maneira preparei a minha bagagem e convidei a todos de casa para irmos ao litoral. Este é o único lugar que lembro existir quando estou precisando de umas férias. Às vezes sentimos a necessidade de um lugar mais agradável para desanuviar nossas mentes. Agora voltando ao assunto; depois que convidei a todos logicamente tive de levá-los junto comigo. Mas isso não me incomoda porque sei que a Olga se aproveita deles por lá para ajudarem na louça e na limpeza da casa. Ainda bem que minha senhora é esperta. Ela sabe que se depender de mim para limpar uma casa certamente o imóvel perecerá sob meus cuidados, e ficará semelhante a uma cripta, ou qualquer coisa assim.
Contudo, levei todos para o litoral porque, creio eu, seria o melhor a se fazer no momento. Queria dar a eles um tempo para o lazer. Odeio olhar para as pessoas o dia inteiro na rua com aquelas caras de bunda, e depois ter de chegar em casa e ver minha família com as mesmas caras daqueles que me deparei durante uma tarde. Verdadeiramente falando isto é um saco. Porém, procuro contornar a situação com algo paliativo, ou seja, praia. Imagine só: sol... Queimando a pele... Deixando vermelho... O mar, bonito, com água gelada, com ondas poderosas que nos derrubam, água salgada entrando na boca... Hum... E a areia então; farelenta, pegajosa depois que saímos da água, entrando na boca, no olho... Ainda mais depois de uma ventania... Sei não, mas começo a pensar de maneira diferenciada quanto ao lugar de refúgio.
Pensei melhor. Desisti da praia. Fiz com que todos de casa desistissem da praia. Fiz a praia desistir de mim também. Como consegui esta façanha? Ah, sei lá. Falei qualquer bobagem para eles e acreditaram em mim. Mas não posso precisar o que foi dito a eles. No entanto, pelo que conheço de minha família, e da praia, eles (familiares) não estavam com tanta vontade de ir ao litoral, nem o litoral estava com vontade de me ver, porque senão fariam de tudo para me convencer de ir para lá, nem que fosse para molharmos os pés, ou salgar os sacos, ou qualquer coisa assim. De qualquer maneira aguardo, por esses dias, coisa melhor que certamente irá acontecer. Até a próxima.
Oiram Bourges - 19:24 para cima
Quinta-feira, Abril 20, 2006
A semana passou muito rápido, pelo menos para mim. Normalmente isso é difícil de acontecer quando não se tem nada a fazer. Mas não me incomodei com tal detalhe, pois queria de fato que os dias passassem como passaram porque esperava receber, na Páscoa, alguns ovos de chocolate. E ainda, se assim fosse possível, receber outras coisas de presente. No entanto, para receber tais coisas seria preciso esperar. Coisa que, aliás, sei fazer muito bem.
Bom, os dias iam passando de maneira anormal, ou seja, rápido demais. Assim mesmo decidi procurar uma ocupação que condissesse com minha classe. Então cisquei de um lado da casa, depois cisquei de outro, e ainda assim não encontrava nada para fazer. Foi aí que pensei: melhor desta maneira, pois não me cansarei inutilmente. Assim sendo, acabei me escorando na janela da sala, a fim de ter uma visão privilegiada dos humanos enfadonhos que circulam por este planeta.
Lá pelas tantas, quando eu começava ficar com a mesma cara de enfado dessa gente, iniciei uma atividade de grande perícia, mas, de pouca sofisticação... Melhor dizendo; não tinha nada de sofisticado nesta atividade. Como é que é? Você quer saber mesmo que atividade esta? Então está bem. Olha; como eu estava debruçado no peitoril da janela da sala tratei de cuspir o mais longe possível, ainda que modestamente. Como é cuspir com modéstia? Oras... Sei lá.
Agora veja só que coisa estranha me aconteceu: enquanto desempenhava minha atividade escusa com maestria senti a presença de alguém ao meu lado. Pensei de início que fosse o gato ou o cachorro, pelo aroma desagradável de merda exalando até minhas narinas. Mas como tenho meus sentidos apurados deduzi que tal aroma estava sendo produzido por uma pessoa. De repente...
-- E aí bicho! Disse-me assim o sujeito barbudo, cabeludo, com a camiseta levemente encardida, calças multicoloridas e um par de tênis surrados.
-- Ei, mas, quem é você? Perguntei desta maneira enquanto limpava meu queixo escorrido de babas.
-- Eu? Sou você amanhã! Disse-me assim, com ironia.
-- O quê? Perguntei assim, sem noção do que ele dizia.
-- Tudo bem, sei que esta expressão já está muito ultrapassada, pois é da década de 80, mas você sabe quem sou Eu. Nós já nos encontramos outras vezes... Ô Baltazar! Eu sou Deus... Seu chapa! Talvez você não tenha me reconhecido, por Eu estar com estas calças multicoloridas e boca-de-sino. É que estou querendo ficar na onda, mora? Capiche? Ah! Tem outra coisa; você está de pontaria... Não consegue acertar ninguém com esses cuspes de boneca. Vem cá; é assim que faz ó.
Enquanto isso eu me encontrava atônito, sem expressões, ações ou reações para conseguir entender aquilo tudo. Então, depois de Ele ter juntado muita saliva, misturada com a mucosa de seu nariz, atirou aquela nojeira lá para baixo. Tal feito acertou em cheio a cabeça de um sujeito todo bem vestido que passava na caçada.
-- Pô Deus! O sujeito caiu estatelado. Gritei eufórico.
-- Eu sei... Na verdade ele morreu. Sei que é uma maneira estranha de morrer, mas decidi que era a hora dele. E, se por um acaso quiser saber pó que fiz isso responderei que estava no barato de fazê-lo. Injustiça? Ora, qual nada, Eu é que decido este tipo de coisa. Afinal de contas vocês vivem dizendo: "se Deus quiser". Então Eu quis. Agora dá licença que tá na minha hora, vou nessa.
-- Mas, Você não vai acudir o homem? Não vai dar um jeito na situação? Perguntei pasmo durante minha agitação de mãos.
-- Eu? Fazer o quê? Já fiz. Agora esta parte fica com a família dele, ou para você se quiser. Disse-me assim antes de me dar as costas e ir embora.
Então eu, que não queria me envolver com nada que desse dor de cabeça ou qualquer tipo de preocupação me afastei da janela e sentei na minha poltrona. Depois disso abri outro ovo... Puxa! Até tinha me esquecido de contar, mas eu fiquei conversando com O Todo Poderoso por três dias sem parar. Que loucura não? Minha família? Se reclamou de alguma coisa? Só a Olga que perguntou sobre o cheiro de merda que tinha na casa, porque de resto ninguém ligou. Se bem que ninguém liga à mínima para as coisas que acontecem por aqui. Mas tudo bem. Melhor assim.
Sabe; depois que tudo isso aconteceu me senti assim, meio sem saber direito o que fazer, com cara de bobo e tudo mais. Oiram Bourges - 17:40 para cima
Terça-feira, Abril 11, 2006
Depois de caminhar pelas ruas do centro da cidade sem encontrar nenhum dos meus amigos decidi voltar para casa, já estava cansado e enfadado de tanto olhar para as pessoas que andavam pelas calçadas e ruas, e de um lado para outro como se fossem baratas tontas. Se bem que, eu ainda não vi um estudo comprovando se as baratas realmente ficam tontas. De qualquer forma, quem se importa com isso mesmo. Só sei que sem a presença de meus amigos, e eu longe do bar do Odil para tomar umas, decidi-me por retornar a minha morada. Mesmo porque a tarde estava pra lá de quente, mas tão quente que fiquei, depois de andar horas e horas a fio no sol, todo vermelho de queimado, com dor de cabeça, e com vontade de torcer o pescoço do primeiro que viesse me encher o saco. Por sorte ninguém veio me incomodar, pois estava sem paciência até para torcer algum pescoço.
Então, quando voltei para casa encontrei o apartamento vazio, digo, estava o gato sentado de frente para a janela e fedendo merda, e o cachorro correndo em círculos atrás do próprio rabo. Muito esperto da parte dele isso. Mas como não sou de me intrometer nas coisas deixei com que ele se divertisse com seu próprio rabo. Afinal de contas o rabo não é meu, então, se quisesse morder, podia morder, oras. Azar o dele se doesse. E que, se fosse para doer pela mordida iria certamente doer por uma pancada que eu desse também, pois no caminho para casa comprei um jornal para por os fatos ocorridos no mundo em dia, mas se por um acaso fosse preciso usar o tal jornal para surrar certamente usaria sem dó. Afinal de contas jornais são feitos para ler, depois para limpar vidros, forrar gaiolas, cobrir o chão para os animais urinarem em cima, e por aí vai. Mas nada impede que eu altere a ordem de uso deste objeto, como: surrar primeiro e, mais tarde, se ainda existir jornal, ler. No entanto, vai depender de um detalhe, como: se terei ou não vontade de ler isso depois também. Porque se eu estiver cansado, coisa que certamente estarei, não lerei porra nenhuma, pensei. Mesmo porque até já sei o tanto de porcaria que acontece no mundo. Continuei pensando.
E quer saber de uma coisa? Estou cansado mesmo. Caminhei demais nesta cidade e não deu em nada. Não encontrei ninguém de conhecido, na volta ninguém cedeu o lugar no ônibus para eu sentar e ainda pisaram no meu pé. Depois me xingaram de não sei o quê quando atravessava a rua na frente dos carros que passavam ao lado do prédio onde moro. E para completar a situação, a mulher que fica na portaria ainda fez uma gracinha daquelas bem sem graça. Coisa de fofoqueira, claro. E daquelas que vive em cabeleireiras sem-vergonha de bairro. Claro. Finalmente, para concluir esta história que não deixa nada de útil para a posteridade quero dizer apenas uma coisa, ou melhor, algumas coisas, e que são essas: agora eu cansei, preciso descansar, vou dormir. Até logo.
Algumas vezes descobrimos que para as outras pessoas não existimos, ou estamos completamente mortos. E quando nos descobrem vivos simplesmente nos ignoram.
Oiram Bourges - 14:03 para cima
Sábado, Abril 01, 2006
Aproveitando o nada que tinha para fazer resolvi testar os equipamentos eletrônicos de casa. Liguei a televisão, o rádio, sim, aquele de ondas longas, ondas médias, ondas curtas e almost waves que é do Adalberto... Sei que ele não é de ligar na corrente elétrica, mas mesmo assim é um equipamento eletrônico. Ah, sim. A batedeira, o liquidificador, a máquina de lavar roupas e o ventilador. E tudo ao mesmo tempo agora. Porém, tive de desligar alguns deles, pois o barulho produzido por essas coisas começou a atacar minha labirintite, e por causa disto já estava ficando perdido no meu próprio lar. Mesmo porque já sabia que tudo funcionava direitinho.
No entanto, a velha vontade de fazer alguma coisa me perseguia por onde eu andava agarrada em meus calcanhares, além do gato, que continua com uma incrível diarréia. Será que este bicho não vai morrer desse jeito não? Pensei. Sei que ele pára de cagar assim depois que toma cerveja. Talvez eu dê uma das minhas latinhas para ele tomar. Continuei pensando. Então, pensando na melhora do bichano abri logo de saída duas latas de cerveja. Uma lata ele tomou sem piscar, e a outra lata eu tomei sem precisar respirar. Fato este que denota grande habilidade etílica para ambos. Finalizamos então com um longo e sonoro arroto. O meu inclusive acompanhado de um fio de baba.
Vendo que tudo corria bem resolvi ligar o televisor para ver se passava algo de bom. Afinal de contas eu estava assistindo televisão com o meu gato. Além do cachorro lambão que também estava perto. Logicamente que nesta hora todos estavam reunidos, inclusive as pulgas dos animais, tanto do gato quanto do cachorro. Mas isso não me incomoda, pois eu dou cerveja para elas tomarem também. E tal ação faz com que adormeçam ou fiquem mais tranqüilas. Desta forma todos ficam bem. Apenas a Olga, as crianças e os vizinhos não gostam do que eu faço, mas aproveito quando todos saem de casa para organizar este esquema bacana para nós. Bom, quanto aos vizinhos, quero que eles se danem, pois não estou ligando para o que eles pensam, se é que pensam.
Mas agora já estou cansado de falar essas coisas. Talvez seja pelo fato de eu ter me servido muito mais de cerveja do que o gato, o cachorro, que acabou bebendo um tanto, e a montoeira de pulgas que estavam bebericando na lata juntos. E posso afirmar que tomei pelo menos duas ou três vezes mais que todos eles. Sendo que essa turma da pesada bebeu quatro latas de cerveja. Pelo menos até onde pude contar. Olha, não tenho certeza, mas parece que o gato, depois de tanto beber, não melhorou de diarréia. Na verdade ele piorou. Afrouxou tudo. Por uns dias ele ficou pintando as paredes do apartamento. Pobre bichano. Mas o que há para se fazer quando um bicho destes gosta de tomar bebida alcoólica desta maneira? Bom, um dia deverá melhorar desta zica toda.
Depois da bebedeira o pobre do gato ficou assim, meio com jeito de quem está passando mal. E por um motivo que não sei qual é.
Oiram Bourges - 11:08 para cima
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